Virtutem Forma Decorat

A Beleza adorna a Virtude. Esta inscrição em latim é encontrada no reverso da pintura¹ de Ginevra de Benci, e nos traz um pouco do espírito artístico florentino.

É comum encontrar elementos simbólicos nas obras de Da Vinci. A expressão de suas pinturas vão além da representação estética e penetram num universo onde a beleza adorna a virtude.

Aristóteles em sua Ética, dizia que o exercício das virtudes é capaz de levar o homem à verdadeira felicidade, pois é próprio da alma agir de acordo com sua natureza. Segundo Platão, as virtudes residem no plano das ideias e tem o poder de elevar os homens à condição de deuses. Conforme Cícero, a virtude que há no homem é a mesma que há em Deus, que é a perfeita natureza elevada a seu grau supremo. Estes conceitos nos levam a compreender a virtude como mediadora entre o homem e Deus, uma forma de reivindicação do homem à sua própria natureza divina.

Plotino em suas Enéadas dizia que a beleza é uma condição inerente ao ser humano que pode ser potencializada pela prática das virtudes. Um ser humano virtuoso, por assim dizer, é belo. Segundo a teoria da emanação de Plotino, o homem percebe a beleza de forma mais completa ao passo que ele se torna mais virtuoso, mas não chega a alcançar o arquétipo, porque este é próprio da unidade, e o indivíduo, como sabemos, está subjugado à dualidade.

Temos então na máxima de Leonardo Da Vinci, estes dois termos conjugados, que em sua unidade nos levam ao que há de mais divino no ser humano. A beleza como uma propriedade da alma, que anima aquilo que está manifestado e a virtude, como exercício de alquimia interior que nos leva aos poucos à condição da própria beleza. Poderíamos comparar a virtude à ferramenta do ourives, que lapida aos poucos o diamante da beleza, tornando-o cada vez mais belo e inspirador. Mas não esqueçamos, como já dizia Pitágoras, o limitado dá forma ao ilimitado.

Para conhecer um pouco da história da virtuosa Ginevra de Benci, musa inspiradora deste belo retrato de Da Vinci, assista o vídeo a seguir da National Gallery of Art, onde a obra está exposta atualmente:

“Na natureza, não existe um efeito sem causa; compreenda a causa e você não terá necessidade do experimento.”

Leonardo Da Vinci
Anotações de manuscritos

1 Ginevra de Benci
Pintura a óleo, 38 x 37 cm, 1474-78
National Gallery of Art
Leonardo Da Vinci

* Podcast deste post foi gerado com o Notebook LM.

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